No dia seguinte embarquei para Londres. Mesmo dizendo pra
mim que não queria mais ver Fernanda na minha frente, no fundo eu queria ao
menos me despedir daquela que sempre esteve ao meu lado, mas ela não apareceu
no aeroporto e acho que foi melhor assim. Foram 16 longas horas de vôo, não
agüentava mais ficar naquele avião. Minha ansiedade era tamanha que eu mal
conseguia dormir e quase não comi.
Quando finalmente cheguei a Londres percebi que ali
começaria uma nova fase da minha vida, uma nova Eve, com outro modo de ver a
vida. Mas para isso acontecer eu não poderia ficar presa apenas ao meu
trabalho, eu precisava sair pra conhecer pessoas novas, o que só consegui fazer
depois de uma semana, que foi o tempo que levei pra deixar meu apê do jeitinho
que eu queria. Resolvi sair com uma galera que eu havia conhecido no museu,
fomos a um pub onde só rolava cover e naquela noite teria cover dos Strokes e
Beatles, o que mais eu poderia quer?! Nesse pub conheci Luka uma mulher
incrível, fotografa apaixonada pela vida noturna de Londres, música e por
cinema. Ela possuía o mais belo sorriso que eu já havia visto, passamos horas
conversando, ela era uma mulher fascinante. Contei para ela sobre Fernanda e
tudo que passei no Brasil, ela me disse que já havia tido uma experiência
parecida quando morou em Praga. Luka me disse:
- O problema das pessoas é que elas não sabem reconhecer
o amor e não sabem amar.
-Como assim?
- Digo, elas se prendem ao que a sociedade impõe. Para
elas é mais fácil seguir o padrão que se arriscar buscando algo que faça
sentido pra ela. Muitos têm uma visão destorcida do amor, assim como eu tinha
quando me relacionei com a Sophia em Praga. Achávamos que amor era estar sempre
junto, que pra amar era preciso ser um só o tempo todo, mas ser um só o tempo
todo sufoca! Não podemos se tão dependes uns dos outros. Temos que ser livre!
- Falar é fácil, na teoria é tudo muito perfeito Luka
agora quero ver na pratica! NÃO DA CERTO... Mesmo sem perceber você acabe se
prendendo demais a pessoa e acha que pra não perde-la é preciso que ela fique
sempre ao seu lado e saber sempre onde ela vai e que horas volta, por isso acho
que não se aplica a pratica.
- Você já tentou? Disse Luka me olhando nos olhos.
- Não. Mas...
- Então como você pode ter tanta certeza assim? Disse
Luka interrompendo-me
Luka conseguiu me deixar sem resposta e nem ação, não
soube o que falar apenas sorri e ri timidamente. Continuamos conversando
tínhamos tanto em comum que chega ser difícil acreditar o quando demorei a
conhece - lá, no meio da conversa descobri que ela era 6 anos mais velha que eu
o que à deixou espantada, pois ela dizia que eu era madura demais pra minha
idade, ao fim da noite trocamos telefones e e-mails. No dia seguinte Luka me
ligou me convidando para ir até sua casa para uma reunião de amigos, aceitei o
convite e na noite seguinte lá estava eu batendo a porta de uma pessoa que eu
havia acabado de conhecer. Os amigos de Luka eram incríveis, brincam dizendo
que no apartamento só tinham loucos pois todos tínhamos alguma relação com o
mundo das artes. Quando dei por mim todos já haviam ido embora e só tínhamos
sobrado nós duas e já era tarde, Luka insistiu para que eu dormisse em sua
casa, mas preferi ir embora. Ela me acompanhou até meu apartamento e ao me
despedir dela senti uma vontade enorme de beijá-la.

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