Demorei pelo menos uma hora para entender o que Fernanda fazia em minha casa de praia. Ela me disse que tinha recebido um torpedo de uma colega nossa dizendo que estávamos descendo a serra e que ela deveria nos encontrar lá para a melhor festa de todas. De inicio eu não acreditei muito nessa história, mas após encontrar com a tal colega constatei que era verdade.
Tentei levá-la para dentro, na real, eu nem mesmo sei como chegamos ao meu quarto. Eu não conseguia formar um caminho reto, nem ao menos conseguia formar uma frase. Eu estava totalmente louca. Eu tinha bebido, fumado e feito tudo que tinha direito de fazer. Não me passou pela cabeça que ela sequer saberia da festa que eu havia planejado em menos de 24h.
A casa parecia outra, nossa única sorte é que meus vizinhos não estavam em casa. Somente no quintal, viam-se pessoas deitadas no chão, na piscina, no bar, próximos a churrasqueira rindo e dormindo. Dentro da casa, a coisa piorava; dentro as pessoas dançavam ao som de músicas frenéticas que envolviam o seu corpo de uma maneira inexplicável. Fora a fumaça que se formou lá dentro, certamente eu teria um trabalho do caralho para arrumar tudo aquilo, mas no momento não importava. Tudo o que importava era a mão dela segurando a minha.
Por mais que eu amasse a Fer, e eu a amo. Senti que independentemente do que ela quisesse falar para mim eu não a escutaria. Eu decidi seguir em frente e quem teve a ideia de nos separa foi ela, então ela arcaria com suas responsabilidades.
Depois de uma meia hora encontramos um quarto livre para conversarmos. Sim, estava tudo tão bagunçado que em alguns quartos eu vi coisas que até o diabo duvida que existe. Por acaso o quarto que encontramos era o meu quarto de criança. Ele é todo cor-de-rosa, e lotado de brinquedos e fotos de infância.
Ela entrou e ficou a olhar todas as coisas enquanto eu me jogava em minha cama. Eu estava cansada e tonta, não conseguia ficar nem mais um minuto em pé.
-Porque você faz isso?- Ela perguntou virando-se para me olhar nos olhos.
-Isso o quê? - Perguntei de volta, rezando para não vomitar no meu quarto.
-Isso. - Respondeu-me ela, olhando e apontando para tudo.
-Olha aqui Fer. Se você veio até aqui para gastar o meu tempo e destruir a minha festa, é melhor você ir embora.- Respondi, tentando levantar.
- Não, eu não vim para isso. Vim para conversamos.... Sobre nós. - Ela me respondeu, parecendo chateada em me ver nessa situação.
-Conversar o que sobre nós. Pelo o que eu entendi bem você não me quer. Então eu decidi que também não te quero. E aliais, creio que não estou em condições de conversar nada sério com ninguém agora.
-Sério. - Ela me disse.- Realmente, você não está em condições de conversar com ninguém. Então já que é assim. - Ela saiu no corredor e pegou a primeira garrafa que viu pela frente e virou.
-Eu também não estarei em condições de conversar com você. - Ela me disse por fim e desapareceu pelo corredor da minha casa.
Eu não pude acreditar, novamente, em que os meus olhos tinham visto. Pudera, eu estava bêbada. E decidi que deveria voltar a fazer o que estava fazendo. Aquele fim de semana prometia.
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